ALIMENTOS

Setor fatura US$ 700 bilhões em 2019



21.02.2020 - 05:01

Segundo pesquisa conjuntural da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), o setor registrou faturamento de R$ 699,9 bilhões em 2019, um crescimento de 6,7% na comparação com o ano anterior (R$ 656 bilhões). A geração de empregos na indústria de alimentos somou  16 mil novas vagas diretas no ano passado, o que representa três mil novos postos de trabalho em relação a 2018. O setor responde por 23% dos empregos da indústria de transformação brasileira, com 1,6 bilhão de empregados.

As vendas no mercado interno (varejo + food service) cresceram 6,2% em 2019 em relação a 2018 (4,3%). Food service e mercado varejista cresceram 6,9% e 5,9%, respectivamente. Os investimentos em 2019, incluindo fusões e aquisições, somaram R$ 22,3 bilhões, um incremento de 4% sobre 2018.

Em vendas reais, as categorias que se destacaram foram carnes (11,1%); derivados de cereais, chá e café (5,6%), desidratados e supergelados - pratos prontos e semiprontos congelados e alimentos desidratados – (4,9%) ; e o grupo de diversos que abrange molhos, temperos, condimentos, sorvetes e salgadinhos (3,4%).  Em contrapartida, as maiores quedas ficaram com o açúcar (10,8%); óleos e gorduras (4,7%) e derivados de frutas e vegetais (4,1%).

A indústria de alimentos brasileira exportou para mais de 180 países em 2019 e totalizou US$ 34,1 bilhões, uma queda de 2,3% na comparação com o ano anterior, explicado principalmente pela retração dos embarques de açúcar. Entre os principais compradores de produtos brasileiros estão a China, Holanda e Hong Kong, com valores de US$ 5,3 bilhões, US$ 1,9 bilhão e US$ 1,6 bilhão, respectivamente. As exportações para o gigante asiático saltaram de US$ 3,3 bilhões para US$ US$ 5,3 bilhões em função do aumento da demanda chinesa por carne suína. A China importou quase 250 mil toneladas do produto, volume 61% superior ao embarcado em 2018. “Em 2020, caso o cenário de crescimento para o Brasil seja mantido, as vendas reais do setor de alimentos devem crescer em torno de 3%”, diz João Dornellas, presidente-executivo da ABIA.

A perspectiva do setor alimentício para 2020 vai depender de como a China e outros países irão conter o avanço do Coronavírus. No curto prazo, algumas commodities agrícolas podem ser impactadas, além de outros fatores como a Peste Suína Africana (PSA), que afetou rebanho de suínos na China em 2019 e a gripe aviária detectada no início de fevereiro de 2020. Este conjunto de fatores pode contribuir para a manutenção dos volumes exportados pelo Brasil.